Nirvana no The John Peel Show (03 de Setembro de 1991)

Nirvana no The John Peel Show (03 de Setembro de 1991)

No dia 03 de setembro de 1991 o Nirvana gravava para o programa de radio da BBC de Londres. Saiba mais sobre a ultima sessão do Nirvana no The John Peel Show com o “extraordinariamente excêntrico“ radialista britânico.

Mas em primeiro lugar: Quem era John Peel?

John Robert Parker Ravenscrof, nasceu em Heswall, Inglaterra, no dia 30 de agosto de 1939. Peel era um ávido ouvinte de rádio e desde cedo colecionava discos. Mas já naquela época, desejava ter seu próprio programa. “Para que eu pudesse tocar a música que ouvia e queria que os outros ouvissem”, como recordou em uma entrevista de 1990.

John Robert Parker Ravenscroft
John Robert Parker Ravenscroft – 30/08/1939 – 25/10/2004

John Peel era uma lenda do rádio. Foi DJ/locutor da Radio 1, da BBC por quase quatro décadas. Sua influência no desenvolvimento da música popular ao longo dos anos e sua contribuição para a música moderna é incalculável. Bandas do mundo todo enviavam seu material à John, sabendo que realmente seriam ouvidos. Ele sempre foi apaixonado e dedicado a “nova musica”.

O inicio no rádio

Em 1960, enquanto morou nos Estados Unidos, conseguiu seu primeiro emprego em uma emissora de rádio, embora não recebesse nada pelo trabalho. Na WRR (AM) de Dallas, ele apresentou a segunda hora do programa Kat’s Karavan. Depois disso, quando a Beatlemania atingiu a America, Peel conseguiu um emprego na estação de rádio KLIF, também de Dallas, como o correspondente oficial dos Beatles, graças a sua conexão com Liverpool. Depois trabalhou para a KOMA, em Oklahoma City, até 1965, mas quando se mudou para San Bernardino, Califórnia, entrou para a KMEN, usando o nome John Ravencroft para apresentar um programa matinal.

Mas foi seu primeiro programa de radio na Inglaterra, em 1967, que o fez conhecido. Era o The Perfumed Garden, da rádio pirata Radio London. Foi ali que ele usou pela primeira vez o nome “John Peel”, por sugestão de um secretário da estação. Muitos o consideram a “salvação” da cena underground do Reino Unido na época. Ele tocava clássicos do blues, música folk e rock psicodélico e seu formato cativou o publico, com quem tinha uma ótima relação.
John morreu repentinamente de ataque cardíaco no dia 25 de Outubro de 2004. Ele estava de ferias em Cusco, no Peru. Ele tinha 65 anos.

Nirvana no The John Peel Show – 1989

Nirvana no John Peel – 1989

A primeira vez que o Nirvana gravou com John Peel foi em 1989. No dia 26 de Outubro, Kurt Cobain, Krist Novoselic e Chad Channing (que era o baterista na época), tinham um show marcado no Studio 21, em Reading, mas cancelaram para agarrar a oportunidade de participar de uma tradicional gravação do John Peel Sessions, no BBC Maida Vale Studios, em Londres. Na ocasião, Ted De Bono era o engenheiro de som e Dale Griffin o produtor. O Nirvana gravou quatro musicas, sendo elas  “Love Buzz“, “About a Girl“, “Polly” e “Spank Thru” (mas foi creditada como “Spanx Thru” na gravação oficial).

Griffin lembra que “A banda estava bem ensaiada (embora isso não seja muito comum nas sessões do John Peel) e logo elas foram mixadas“. A primeira aparição do Nirvana no The John Peel Show foi ao ar pela BBC Radio 1 no dia 22 de Novembro daquele ano. Ouça aqui.

Nirvana no The John Peel Show – 1990

Kurt Cobain no John Peel – 1990

A segunda aparição do Nirvana no The John Peel Show foi no dia 21 de Outubro de 1990. A banda gravou o programa no Studio 3 do BBC Maida Vale Studios. Kurt e Krist já conheciam o local, mas agora eles tinham um novo baterista, Dave Grohl. O Nirvana tocou “Son Of A Gun“, “Molly’s Lips“, “D7” e “Turnaround“. Kurt e Dave ainda fizeram seus “solos” de bateria durante as gravações. Novamente Dale Griffin foi o produtor responsável.  Mike Engles era o engenheiro de som e Fred Kay o assistente. O programa foi ao ar no dia 30 de Novembro daquele ano.

Nirvana no The John Peel Show – 1991

A ultima vez que o Nirvana participou do The John Peel Show foi há exatos 27 anos, no dia 03 de Setembro de 1991. A banda havia sido chamada pelo Sonic Youth para se juntar à uma turnê européia. Experiencia essa que Dave Markey transformou no documentário clássico 1991: The Year Punk Broke. Com o fim da turnê, a banda aproveitou para voltar ao John Peel e gravar mais uma vez. Dale Griffin, o produtor do programa, lembra que eles pareciam cansados.

“Dave e Krist estavam em outro mundo. Eles pareciam esgotados, zumbificados. Mas Kurt parecia muito, muito pior. Fiquei a dois centímetros de seu rosto e falei com ele, mas seus olhos não me viam, nem seus ouvidos me ouviam. Ele não tinha a menor ideia de quem diabos eu era. Consequentemente, decidimos deixar os caras descansar, enquanto a equipe deles montava seus equipamentos. Kurt dormiu no grande sofá na parte de trás do console de gravação.”

As gravações do Nirvana no The John Peel estavam atrasadas, mas Griffin não seu preocupou. A emissora tinha suas regras, por outro lado, para ele era melhor ter um bom material gravado no tempo que fosse necessário do que seguir as regras à risca e não captar um som decente.

Nirvana no The John Peel – Pausa para o chá

As duas primeiras sessões correram tranquilamente. Finalizadas, Krist e Dave foram para a cantina da BBC para comer alguma coisa e, é claro, tomar uma xícara chá, afinal, eles estavam em Londres. Enquanto isso, Kurt dormia.
Quando todos estavam descansados e alimentados, Griffin tinha que decidir se continuariam a gravar ou paravam por ali mesmo, tendo em vista que o stress era visível. Discutir com Kurt o que fazer foi uma tarefa difícil. Ele não tinha ideia de quem era Griffin. O produtor tentou lembra-lo das outas duas vezes em que trabalharam juntos no mesmo Maida Studios, mas não adiantou.

“Seu olhar, seus olhos, sua palidez, sua falta de foco me preocuparam muito, já que me lembrou tão intensamente dos últimos dias da vida de Paul Kossoff (guitarrista da banda de rock britânico dos anos 60, Free). Era uma coisa odiosa ver um jovem como Koss desejando sua vida longe da escória das drogas. Eu odiava pensar que a mesma coisa estava acontecendo com esse jovem americano simpático e altamente talentoso, que estava tão instável a centímetros do meu olhar. Comecei a perguntar se ele se sentia capaz de tentar continuar a sessão. ‘Claro, por que não!’ Foi sua resposta, embora suas palavras não estivessem sustentadas pela linguagem de seu corpo, como suas pernas tinham uma capacidade incerta de segurá-lo por um grande período de tempo. Quanto mais falávamos, mais me preocupava com o fato de que não fosse apenas a fadiga que deixara Kurt quase impotente.”

No entanto, o Nirvana se reuniu e decidiram prosseguir com a gravação. O trabalho de mixagem ficaria a cargo de Mike Engles e Dale Griffin, que o fizeram mais tarde naquela noite. A sessão não foi bem ensaiada como haviam sido as anteriores. Mesmo com a maior boa vontade do mundo, o set escolhido não era dos melhores. Mas ainda assim, tocaram sem reclamar. Por conta do cansaço, eles tocaram um total de apenas três musicas, gravadas em um 48 channel SSL G series e um Studer A800 24-track recorder.

Nirvana no The John Peel – Eu já tinha visto aquilo em outros olhos

Quando a oportunidade surgiu, Griffin puxou Kurt de lado mais uma vez. Ele queria tentar descobrir qual era exatamente o problema com Cobain. Se ele, Krist e Dave estavam sobrecarregados pela gravadora, por empresários, alguma outra coisa? Naquele momento Kurt já parecia saber quem diabos era Dale Griffin. Ele acenou com a cabeça, sorriu e reconheceu o conselho. Mas para Griffin, ainda havia aquela coisa em seus olhos que o fez sentir desconfortável por Kurt. “Eu já tinha visto aquilo em outros olhos antes e… eles acabaram mortos“.

A banda saiu do Maida antes mesmo de dar o nome de todas as musicas executadas. “Endless, Nameless” ficou anotada como “No Title As Yet” (Nenhum Título Ainda). Só pouco antes de o programa ir ao ar esses detalhes foram passados para o escritório do The John Peel Show.

Abaixo, as musicas gravadas no Maida Vale Studios para o The John Peel Show. Elas foram ao ar no programa do dia 03 de Novembro de 1991:

Os depoimentos de Dale Griffin são de conversas pessoais do produtor com Alex Roberts (livenirvana).

"Boddah"

Fã de Nirvana desde a primeira vez que o peso de "Bleach" entrou por meus ouvidos. Antes de tudo, um curioso insaciável. Pesquiso para aprender, escrevo para compartilhar o que aprendi."A curiosidade matou o gato, mas a satisfação o trouxe de volta!"
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